Reflexão - Dentro do Mosteiro do Carmo ou nas Ruas da Cidade.



Gilson Gomes

Advogado

Por isso a gente precisa aprender a refletir e a pensar, mas não sem olhar a prática, ou o que fazer, já que a vida reclusa no  mosteiro do Carmo, e nos do Tibet pode ser útil, mas fica distante do mundo real, do ato e do fato. O pensamento precisa ser elemento de transformação, devendo  ser alterado os critérios da nossa verdade. Pois nenhum homem que pensa e reflete irá se arriscar em pegar no rabo da serpente. Seja prudente, e cuide para não atropelar a serpente, já o Nazareno dissera para ser simples como as pombas, e prudente como as serpente.

Então, pensemos um pouco, sem preconceito algum, afinal não somos doutores, mas somos pensadores, porque temos cérebro.

Não Sou Perfeito

Posso não ser uma ser perfeito, também, não tenho nenhuma pretensão de ser o senhor da verdade, sei que a verdade  não é absoluta. Defendi e dediquei minha vida a lutar contra a força bruta e toda forma de violência, procurei me orientar pela honestidade e pelo exercício do bem. O homem e a mulher civilizados devem cumprir o seu dever, e não fazer o seu querer. O querer fica o plano do livre arbítrio, mas não na sua sua execução. A livre expressão de opinião, não se trata de  negar as leis da ciência, da ética, ou mesmo os princípios  que se orientam a vida em sociedade. A opinião é pessoal, e não universal. A felicidade é uma procura que se encontra justificada na virtude, pode até ser algo que nos proporciona prazer, mas no entanto deve ser o efeito de bons hábitos. Não smos senhores de nenhum ser, mas cada um deve ser colaborador, acima tudo suprir a lacuna deixada pelo outro, seja por uma limitação genética ou congênita, como por acidente. Pois o desconhecimento de fato evidente se caracteriza como discriminação. Não há um ser insolente, arrogante, senhor do bem e do mal que tenha alcançado a senda do sucesso do espírito. Exigir do outro aquilo que ele não pode, ou fingir que não viu, cometer destempero em razão  ato sem causa, não acrescenta e não melhora em nada a humanidade. O amor é incondicional, quem ama observa todas as leis, mas que ama faz o bem, e não joga pedras como se não tivesse nenhum pecado. O certo é que procurei o amor, a felcidade, e o bem. Se não encontrei a mão a miga, e beijo solícito  e afetuoso não há muito a fazer, mas apenas reconhecer que fiz minha parte, mesmo por ter apostado no jogo errado. Faz parte, cada um senhor da sua história, não serei eu que irei interferir na rotação do sol sobre a terra. É a lei da natureza, e nada mais.

O que Existe do outro Lado

Nenhum ser vivo  no solo e no subsolo do planeta terra desconhece o que há no outro lado. Sabe-se pela especulação  da existência de outros sistemas, mas, ainda, não há evidências  da existência de um ser  semelhante ao homem. Se é formidável o feito, também deveria ser observado não existir do outro lado a maldade humana, ocasionada pelo vicio, especialmente a convivência com insensatez de negar o direito e a justiça, e o parasitismo da classe política pervertida e corrupta.

A Percepção.

Percebo que nos nossos dias há  enorme hiato entre a teoria e a prática. Os princípios construídos ao longo dos séculos se encontram gravados no caráter e são exprimidos pela nossa teoria. Não pode  existir a teoria sem a ação. O espírito do homem  se encontra longe de si mesmo em razão da busca da sociedade contemporânea  pela acumulação de bens de consumo e materiais, e em regra, não encontrou nenhuma forma de prazer e de felicidade, porque tais predicados se encontram no espírito. O espírito, por conceito, é  aquilo que dá vida ao ser, pode ser a lei, como pode ser o corpo humano. O vinculo é o laço que prednde o ser por meio do meio ao homem. Por isso, a vulnerabilidade entre homens, mulheres e crianças ocorrem  em razão  da ausência de afeto, então,  como dissera Exuperi, no seu - Pequeno Príncipe – cativar é criar laços, quem estiver cativado  pode correr o risco de chorar.

O Valor da Experiência

Pela  percepção e a  experiência  adquirida nos últimos séculos, o homem se orienta  em face da utilidade e da necessidade. No entanto a prática contemporânea  está fundada no interesse e na conveniência. O jeitinho brasileiro, levar vantagem em tudo, e a corrupção  são sintomas  apresentados pela sociedade. A humanidade  por sua vez,  sempre retoma os valores universais e de origem. O retorno à virtude em detrimento do vicio  se encontra dentro da premissa de sobrevivência da espécie. Como se tem observado o homem, como ser no tempo e no espaço restablece o status  antes descartado por si mesmo como imprestável, determinando que se restabeleça os valores sociais, especialmente a solidareidade, o estado de direito pelo império da lei, e o princípio do bem geral e comum, tendo como efeito o restabelecimento da instituição da célula familiar pelo reconhecimento da necessidade da volta da mulher à função de formação da prole, a fim de inibir os níveis de violência apresentados dentro da sociedade.

A Discriminação

A discriminação pode ser uma demonstração amigável de exclusão, já que se  trata de ferida não cicatrizada da alma, pode ser a dor  mais amarga que  o homem  no gozo das suas faculdades mentais  suporta no cotidiano. A discriminação é uma forma sutil e subliminar de baixar a estima do ser humano viima de alguma forma de  limitação imposta pelo acidente, enfermidade, e de natureza genética  ou congênita. Pois os familiares pensam que fizeram favor em suportar  o estorvo do ser defeituoso, já que na sua visão tal ser  é um corpo estranho. O pior, é observar que num País de poucos leitores e homens cheios de opinião não permitem – o pensar e o existir – dos seres indesejáveis. Os juízes são homens insesíveis, que enxergam a visão da oligarquia que estiver naquele momento no poder pelo desfazimento  dos conceitos universais, e pela sobrevivência da nódoa viciosa. Neste  País não se aprende a muitos anos as regras e as ações de humanidaes, especialmente, o amor ao próximo, aqui denominado de bem geral e comum, a solidariedade e a igualdade entre os iguais, e a iguladade entre os desiguais, sendo que só é possível ser igual entre iguais, e desiguais entre desiguais. Os conceitos e os valores são universais, o aprendizado no banco escolar, como os trazidos das gerações passadas  deverão ser respeitados, mas aqui é  o contrário, nenhum conceito ou juízo de valor sedimentado na cultura do povo tem valor ético ou judicante, mas  na hora do xeque mate vige a conveniência e o interesse. O princípio da imparcialidade não vigora no lugar em que a corrupção se encontra nas vísceras  de cada homem, sendo  um mal encoberto pela virose crônica, doença que infecta nossas instituições. As instituições só podem sobreviver com credibilidade quando fundadas na força da virtude, e estiverem a serviço do homem e não dos interesses e da conveniência. Em sintise,  do direito e da justiça, os maires bens construído e procurado pelo homem.

A Transformação do Homem.

Não há transformação do mundo sem a mudança de hábitos viciosos. O vicio faz parte da vida de todos os homens, afina temos um lado anjo e um lado demônio. É preciso que este anjo se sobreponha ao adversário demônio. Claro pela manhã e a noite devemos matar  o egoísmo existente nas nossas pessoas, porque não existe o homem perfeito. O homem perfeito só existe no ideal do paraíso – céus -, não aqui nestas terras. Enquanto  tivermos a matéria  seremos imperfeitos, também pelo fato de a ideia de perfeição se encontra relacionada com o perfil da sociedade da produção em série, dos arquétipos impostas pela moda, vulnerável e transitória, sem a lei da natureza, cuja base  ideológica  se relaciona com a opinião de alguns que se encontram na mídia, hoje, por uma rede social. Logo a transformação se  opera dentro do homem, fruto da ideia criativa, onde o compartilhamento  com cada ser, coletivamente,  deve fazer  florescer novos caminhos à cidade  perversa, sem calçadas, sem sinal de trânsito, nas esquinas um som estridente das buzinas dos veículos utilizados por condutores  mau formados e depredemos, onde o veículo ao lado é um estorvo. É certo que pelo visto somos um código de barras. Ninguém nos chama pelo nome, mas apenas  pelo número 666, então, por que não o número 1111? Pois trocam nossos nome, já que nossa existência está relacionada ao quanto que produzimos no trabalho, como também a necessidade de puxar o saco, também conviver parasitariamente como o pássaro denominado de  - vira bosta -  (O chupim - Molothrus bonariensis), aquele que na reprodução usa o ninho doutro passarinho. Assim  a transformação só  pode ser possível se cada homem mudar a si mesmo. O homem só muda a si mesmo no momento que necessitar trilhar os caminhos ingrimes e tiver de enfrentar as adversidades des guerras e conviver com a repressão  legal, denominada pelos opressores como libertadoras e necessárias, quase sempre aprecem nestas horas difíceis o populismo messiânico originados da miséria  e dos ciclos de crise moral e institujcional, o  pior mal  ao homem criado por si mesmo.

O Ponto Final

O ponto final é o lugar  onde se para o trem da vida. A gente não para jamais, aliás, nossa vida é um constante ir e vir.  Assim precisamos do Habeas corpus para garantir nosso livre acesso, e como nossa luta segue, devemos pensar e refletir sobre os nossos atos, e a convivência com o semelhante. O que nos resta?
Pensar.
Então:
Pense, pode fazer bem.
Mas responda:
- A reflexão  dever ser feita no Mosteiro do Carmo ou nas ruas da cidade, com os pedintes nas nossas esquinas?

ACADEMIA CRICIUMENSE DE FILOSOFIA - ACF

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