O Filho do Homem e o Filho de Mulher.


Gilson Gomes
Advogado.
“A humanidade é verdadeiramente terra (poder-se-ia até dizer Natureza) hominizada”.[1] Se é verdade que a humanidade é verdadeiramente terra, também é verdade que a humanidade sobrevive por força e graça da luz. A luz  aparece na treva e sobre a água, e dela nascera a vida. Não importa se existira o processo de seleção natural ou a alternativa do primeiro ser pensante ter sido  formado pelo oleiro da argila,  quiçá  pelo sopro conhecido como – vida.  
O homem não conhece seu passado, porque os registros são recentes, datam de no máximo  oito mil anos. O homem é jovem no universo, pois o que importa ter sua origem no processo de seleção natural de Charles Robert Darwin, pela evolução; ou ter vindo pela obra de um Ser supremo, que denominamos de Deus, se o homem não  tiver feito a sua parte na construção dos mundos. O homem pode  cometer a infração por omissão e ação.
O Budismo:
Sidarta Gautama - Siddhārtha Gautama, em páli Siddhāttha Gotama -, popularmente dito e escrito simplesmente Buda, foi um príncipe da região nordeste da Ásia Meridional que se tornou professor espiritual e fundou o budismo. Daí esse homem notável se torna  o condutos espiritual de muitos, pela sua meditação, e elevação de si mesmo ao infinito, Ele se livrou do egoísmo, e pensa no universal.
Os ensinamentos do budismo têm como estrutura a ideia  de que o ser humano está condenado a reencarnar infinitamente após a morte e passar sempre pelos sofrimentos do mundo material. O que a pessoa fez durante a vida será considerado na próxima vida e assim sucessivamente. Esta ideia  é conhecida como carma. Ao enfrentar os sofrimentos da vida, o espírito pode atingir o estado de nirvana (pureza espiritual) e chegar ao fim das reencarnações.
Para os seguidores,  pode ocorrer também a reencarnação em animais. Desta forma, muitos seguidores adotam uma dieta vegetariana. Na verdade, o que se deseja com a adoção de uma dieta alimentar pode ser evitar o  - carma.
A filosofia é baseada em verdades: a existência está relacionada a dor, a origem da dor é a falta de conhecimentos e os desejos materiais. Portanto, para superar a dor deve-se antes livrar-se da dor e da ignorância. Para livrar-se da dor, o homem tem oito caminhos a percorrer:  - compreensão correta; pensamento correto,  palavra, ação, modo de vida, esforço, atenção e meditação. De todos os caminhos apresentados,  - a meditação é considerado o mais importante para atingir o estado de nirvana. No conceito  cristão – o reino.
Dos Nativos das Américas:
Os nativos da América do Sul, especialmente o Brasil possuíam rituais entre eles a reverência a Tupã, e depois o pajé numa dança festiva se fumava o – cachimbo da paz -,  tanto os Incas  quanto os Astecas, também possuíam seus rituais e seus mistérios, tanto que espanhóis e portugueses em nome da pregação da fé Cristã, e  da ganância  pelo ouro e outras riquezas naturais destruíram pela arma e pela contaminação de doenças trazidas pelos brancos, como o sarampo e a varíola. Na concepção do Ibérico europeu, onde a fé Católica perdia campo à Reforma protestante precisava expandir conquistar novas almas pela catequese forçada, a fim de não perder seu papel no mundo conhecido da época. Por isso que  índio não era gente. É preciso impor uma nova ordem pela  matança em nome do ouro, e pela imposição do dogma da fé unilateral, sem respeitar a dignidade da pessoa humana. Os filmes passavam a imagem do nativo  preguiçoso, quando na verdade, o nativo se tratava de amante da floresta e da água, ele estava além do século XXI, e não a imagem passada  pelo Touro Sentado, filmado no México, em  1954, então, o cacique eleito Deputado que usava um gravador e dizia – branco mente. Ainda, no caso do cacique Paulinho Paikam, que passaram os costumes do branco, e depois o índio cometeu aquilo que no  mundo civilizado se denomina de estupro,  mas para o índio se tratava de ato culturalmente aceito. Claro que não se aceita como cristão ocidental e Tomista Aristotélico, e originado da cultura europeia. Mas, cada qual com a sua cultura.
Os nativos foram dizimados no nosso território, e as terras que ontem eram suas,  com flora e fauna, hoje não passa de terras áridas e desertificadas, com rios poluídos, e muita fumaça nas nossas ruas, hoje, não se usa mais o arco e flecha para abater uma ave para nutrir a fome, mas hoje, se mata por causa de um par de tênis, ou se tiver um Rolex falsificado e  contrabandeado  da China,  pois nem Dom Helder Câmara acreditaria nisso,  e tampouco acrescentara linhas no  seu – Deserto Fértil, e nem passara na cabeça do nosso Darcy Ribeiro, na sua obra o Índio e a Civilização.
O que é  o  Filho do Homem?
Daí se observa que dizimar povos em nome da conquista, cuja conquista pressupõe a dizimação de  nações em nome do ouro e aculturação imposta pela minha  crença, imaginar que a minha verdade é a verdade do filho do homem, comete-se o mais insano e  grotesco equivoco  na construção do novo homem, desejado por todos, especialmente descrito por Paulo de Tarso.
O filho do homem  deve ser aquele ser que atingiu o melhor nível do seu conhecimento, por isso  está no plano do iniciado,  por isto Huberto Rohden faz a seguinte descrição: - Ora, o iniciado é um homem intrinsecamente bom, o homem bom por excelência.  No mesmo raciocínio    diz que a busca do homem é o reino: - E,  como reino de Deus está dentro do homem, muitos homens vivem e morrem sem terem descoberto esse reino, ultima razão de ser da nossa existência terrestre[2]
O que se deduz que o -  filho do homem -  está  no mesmo tempo e espaço consciente do seu  finito e do seu infinito, sendo por essa razão que a filosofia do Nazareno se tratava   de conhecimento universal, tanto Gandhi considerava o – Sermão da Montanha – a melhor síntese do conhecimento de si mesmo. Não se pode esquecer que nos  dois primeiros séculos do cristianismo o pensamento Cristão era fundado no Neoplatonismo, sendo assim, Platão, também influenciara  muito Paulo, porque sem o pensamento de Platão, talvez,  Paulo de Tarso tivesse enorme dificuldade de  fazer a sua pregação no mundo grego.
O filho do homem é o filho da natureza, do cosmos, está  como o sol para a terra, pode ser aquilo que se conhece no oriente como Avatar. Assism, vamos buscar nas Escrituras  os lugares onde ele pode ser encontrado numa pequena caminhada entre a Origem, os Profetas,  os  Evangelhos.
A Etimologia do Filho do Homem:
 Na Bíblia se encontra descrita em vários textos, pois como se observa o filhos do homem está dentro da natureza e do Eu do  homem[3]: Por isso as Escrituras o descreve como sinônimo  de homem, mas  o que se pode  observar nesse caso,   tratando-se  do   homem – húmus – (a parte da camada da terra do barro mais fértil, onde  pode ser  encontrados os anelídeos) no entanto,  com consciência plena  do seu infinito e eterno. O filho do homem não   diferencia entre o corpo (matéria perecível)  e alma (psique,  átomo, com seus  prótons, elétrons, e nêutrons), pois para ele tudo é um – eu sou o Pai, e o  Pai está em mim. Esta é a premissa do filho do homem e sua etimologia. Ele é apenas inteligência e  a luz da sabedoria. Ele se conhece e conhece as leis do universo – cosmos. Por isso Ele é cidadão do universo, sendo  universal igual  a filosofia. Por essa razão,  Herodes Antipas,  considerava  Jesus um estoico inofensivo, talvez tivesse a intuição da sua universalidade, sem o dizer expressamente. Jesus  opera uma revolução silenciosa, não  criou Igreja, nem templo, não escreveu livro algum, não fez dogma, nem  transformara sua  doutrina em poder oficial do império Romano, sob Constantino. Também não condenara a mulher adultera, e dissera  escrevendo no chão, quem não tivesse pecado que  atirasse a primeira pedra.  Não era um homem fora do seu contexto à  época, mas não acreditava na violência para conquistar o seu  reino, tanto que colocou a orelha no lugar do soldado de Pilatos, quando Pedro  tentara o defender, e cortou a orelha do soltado com sua espada. Conhecia a morte e conhecia a vida, possuía domínio sobre ela. Não importa aqui se Ele era Deus, se  havia ressuscitada  dos mortos na manhã de domingo, mas o que importa é seu  corpo se transformar em   consciência viva, sabedoria,  e luz. A força da ideia de Platão. O filho do homem tem consciência universal. Aí reside a força e a combustão da sua ideia – meu reino não é deste mundo -, mas do cosmos.
O Filho de Mulher e o Filho do Homem:
Dizem que João Batista era filho da mulher, mas o filho da mulher esta relacionado com a terra, precisa lidar com as adversidades daqui, não consegue chegar a  iluminação de um Buda, nem a consciência de Gandhi e de Francisco de Assis. Não é Platão, nem tão  organizado  e prático como Aristóteles e Tomás de Aquino, nem no racionalismo de Kant, porque tais homens cuidam do espírito, claro a filosofia tem por objeto   ser amigo da sabedoria, então todo pensar livre e com a razão é cuidar do espírito.  Cuidar do espírito  quer dizer os acordes de uma sinfonia construídos nota por nota, ou a obra de um Leonardo  Da Vinci.
Todavia, o filho do homem se torna  -  crístico  -, por isso o Nazareno dizia – eu e o pai somos um- quer dizer eu e a natureza, o cosmos, universo, ou como queira,  Deus, somos um único ser.
O – filho do homem – não escreveu livros, nem deu ordens para matar índios nas Américas, nem mandou destruir os templos Incas e Astecas, nem mandou fazer as Cruzadas, nem a Inquisição, não mandou criar dogmas, nem criou ou poder da hierarquia, Ele mandou buscar o reino e sua justiça, também, nem   fizera com Judas  que aceitou a corrupção em troca de uma  suposta fama e o  poder representado por trinta moedas, como retribuição pelos serviços prestados aos sacerdotes corruptos  e gananciosos  do templo.
O filho do homem busca  uma sociedade melhor, mais solidaria, e onde  a virtude leve ao bem geral e comum os bens da natureza e da civilização,  que são de todos os homens e mulheres.
O filho do homem é igual ao sol, brilha para todos, sem exceção, sendo assim ama o próximo como a si mesmo, porque conhece a si mesmo, como conhece o universo.
Hoje, o melhor que temo a fazer é aprender a pensar em ser bom, e fazer o bem, indistintamente, exercitar a virtude já que a fé  deve ser,  -  fidelidade a  virtude.
E,  qual o  modelo de homem que  desejamos encontrar  no dia de amanhã?
Certamente, aquele homem perseverante como  Édson,  no dizer de Huberto Rohden,  -  quando desapontado por um dos seu  - colaboradores  desaminado com tantos insucessos,  sugeriu que desistisse de  ulteriores tentativas, porque, depois de 700 experimentos, nada conseguira.
Como? Nada conseguimos?  - exclamou ou inventor -  conseguimos ultrapassar  700 coisas erradas, estamos bem perto da verdade.
E Édson descobriu uma grande verdade, para além de centenas de erros[4]
O filho do homem é um cidadão do universo,  pensando sempre  no bem difuso e homogêneo, está para o plural, que para o singular, embora reconheça todo ser é um com sua identidade própria, nesse particular Huberto Rohden,  demonstra o que  disseram  a  Sócrates: -  “já que és cidadão de Atenas, vive como bom Ateniense”. Ao que o filosofo respondeu: “Eu sou cidadão do universo,  e procuro viver como bom cidadão cósmico”
É assim viver – na vida e na morte.[5]
Assim é,  o filho do  homem,  na concepção de Huberto Rohden conviveu assim com a vida e a morte: -Jesus atingiu a culminância da consciência crística, e podia brincar com a vida e morte como um jogador de xadrez que põe as figuras ora no quadrinho branco ora no quadrinho negro do tabuleiro
A grandeza da sua morte  está na grandeza da sua  consciência de que não  há morte  para quem vive a cada momento a vida eterna[6].
E, conclui Huberto Rohden sobre a humanidade ao dizer:  -  Platão é um gênio creador. Hoje em dia, a elite espiritual da humanidade está voltada para  as grandes verdades da filosofia platônica, profética, mística.[7]
Desta forma, este é o  fato de hoje e de ontem,  possuindo  segundo Huberto Rohden muitos nomes:
O Eidos (ideia),  de Platão.
A Morphé (forma), de Aristóteles.
O Logos (razão), de Heráclito e João Evangelista.
O Brahman, dos hundus.
O espírito, a verdade, o Pai, de Jesus Cristo.
A Substância, Natura Naturans, de  Spinoza.
A alma do Universo, dos iniciados.
O Super  ser, de Plotino.
A lei da harmonia, de Einstein[8]
O filho do homem é assim, como é. É o ser que o infinito e o eterno estão  nele,  porque ele não morre, assim como o seu pensamento e as suas ideias. O homem de bem será sempre perene e imune ao tempo e ao espaço.
Pois o  filho de mulher ou do homem,    onde  devemos  encontrá-los?
O filho de mulher está  na busca e no conhecimento do filho do homem, e o filho do homem  está naquele que é a consciência plena e   o cidadão do universo – cósmico.
Por isso que João Batista dissera – Ele é maior que Eu.
Não   sei,  só sei que somos  filhos   e cidadãos do universo.
 Depois das trevas - a luz se fez....
- O filho do homem, quem sabe.
Pense.

ACADEMIA CRICIUMENSE DE FILOSOFIA – ACF.



[1] Chardin, Telhard  de, Vida e Pensamentos, pag. 10, Editora Martin Claret Ltda, 1997.
[2] Rohden, Huberto, Profanos e iniciados, pags. 17,  18, Alvorada Editora e Livraria Ltda, 1983.
[3] Nota do Autor: A expressão  - filho do homem -  é encontrada muitas vezes, tanto no Velho como no Novo Testamento. Originalmente, foi usada como sinônimo de "homem". Isaías 51:12 diz: - Eu, eu sou aquele que vos consola; quem, pois, és tu, para que temas o homem, que é mortal, ou o filho do homem, que não passa de erva? -  (Veja, também, Jó 16:21; 25:6; 35:8; Salmos 8:4; 80:17; 144:3; Isaías 56:2).
No livro de Ezequiel, escrito no sexto século a.C., a frase foi uma maneira que Deus, muitas vezes, identificou o profeta Ezequiel (2:1,3,6 e muitos outros versículos em Ezequiel).
A expressão aparece duas vezes no livro de Daniel, com dois sentidos diferentes. Em Daniel 8:17, o profeta é chamado de "filho do homem". Mas, em 7:13, desce do céu (numa visão)  - um como o Filho do Homem - que recebeu do Ancião de Dias autoridade para reinar para sempre. Nesta visão profética, a frase claramente se refere a Cristo.
  A chegar  ao Novo Testamento,  - filho do homem - é usado quase exclusivamente para falar sobre Jesus. O próprio Cristo utilizou esta expressão (segundo os quatro relatos do evangelho) para se identificar inúmeras vezes (Mateus 8:6; 9:20; etc.). Assim, ele enfatiza sua própria humanidade, o fato que ele se fez carne e habitou entre homens (João 1:14). Mas esta descrição jamais é usada para sugerir que Jesus era mero homem. Sem dúvida, o uso no Novo Testamento elabora o tema introduzido em Daniel 7:13. O  - Filho do Homem -  não é alguém que surge da terra (como a erva de Isaías 51:12). Ele veio nas nuvens do céu (Daniel 7:13, compare Mateus 20:28; Lucas 19:10; João 3:13). Contra as doutrinas humanas que sugerem que Jesus era um homem glorificado, a Bíblia ensina que ele é Deus que se humilhou. Em João 6:62 ele diz: "Que será, pois, se virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava?" Paulo confirma a mesma coisa em Filipenses 2:5-8.
 Assim, o Filho do Homem mostrou sua autoridade na terra (Marcos 2:10,28). Depois de sua morte e ressurreição, ele afirmou que tinha recebido toda autoridade (Mateus 20:28; veja Lucas 22:69). Como Daniel o viu descendo nas nuvens, Jesus prometeu vir nas nuvens em julgamento (Marcos 13:26; 14:62; etc.). Algum tempo depois da ascensão de Jesus, Estevão foi privilegiado em ver "o Filho do Homem, em pé à destra de Deus" (Atos 7:56). Vamos obedecer ao Filho do Homem, que tem toda autoridade.
[4] Rohden, Huberto,  Ídolos ou Ideal, pag. 147,  Editora Martin Claret, 3ª Edição.
[5] [5] Rohden, Huberto,  Ídolos ou Ideal, pag. 149,  Editora Martin Claret, 3ª Edição.
[6]  Rohden, Huberto,  Ídolos ou Ideal, pag. 151,   Editora Martin Claret, 3ª Edição.
[7]  [7] Rohden, Huberto,  Ídolos ou Ideal, pag. 156/157,,   Editora Martin Claret, 3ª Edição..
[8]  Rohden, Huberto,  Ídolos ou Ideal, pag. 160, ,   Editora Martin Claret, 3ª Edição.

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